A primeira imagem, do primeiro dia de aula, o primeiro impacto com a sala de aula, tinha então 6 anos e meio,pois faria sete anos somente em julho. Lembro-me bem da minha primeira professora, era linda, alta e loura, com cabelos longos, ali próxima a mesa escura de madeira assim com as carteiras, depois só me lembro de ter a lousa cheia de onda vem onda vem, letra “a” repetida pela lousa toda e meu caderno cheio com essas repetições de a, m, c. Nossa, me lembro de não gostar daquilo. Neste ano minha mãe conta que tive muita dificuldade e não conseguia aprender, resultado, repeti a primeira série, acho que não conseguia juntar as letras e formar sílabas, hoje entendo a dificuldade de algumas crianças em aprender, que cada uma tem seu tempo de amadurecimento em escrita e leitura, aquele estalo que dá, como dizem alguns professores alfabetizadores e com essa idade eu era imatura.
Também me lembro de ouvir a conversa da professora com minha mãe, que eu já tinha passado por seis turmas, seis professores diferentes e não tinha jeito, eu não aprendia e iria repetir o ano, coitada da minha mãe deve ter ficado tão nervosa.
No ano seguinte, minha professora dona Terezinha, desta me lembro bem, era mais baixa, muito branquinha e tinha os cabelos longos, pretor e cacheados, ela tinha um esquema: separava a turma, turma A, turma B, turma C e turma D, por dificuldade de aprendizagem, e adivinhem que turma eu era...a turma D, que ficava virada de costas para a janela e de frente para toda a classe. Eu e mais dois meninos, esta separação fez com que a professora tivesse um trabalho diferenciado com cada grupo e em especial ao nosso, e sabe por que gostei tanto dela? Porque passei a fazer recortes, a ler pequenas palavras, daí aprendi. E nunca mais repeti, aprendi a gostar de ler, minha letra era horrível, mas eu consegui, graças a persistência de uma dedicada professora.

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